LAMPARAM
agosto 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      

   Espaço guineense de análises, divulgação de textos e comentários sobre a Guiné-Bissau e o mundo africano. Envie-nos a sua contribuição: leopoldo.amado@gmail.com

agosto 13, 2005





Publicado por LeopoldoAmado em 04:24 PM | Comentar (0)

agosto 12, 2005



jambros2005_t.jpg
Leopoldo Amado

Bem-vindo ao LAMPARAM, espaço guineense de permuta de ideias, reflexões, análises e comentários. LAMPARAM – nome escolhido propositadamente para este espaço, justifica-se por verosimilhança – , pois é a palavra ou a expressão por que se designa no crioulo da Guiné-Bissau um engenho tradicional de propulsão normalmente utilizado nas plantações e nas bolanhas da Guiné-Bissau para afugentar a acção predatória das aves sobre as culturas.

Assim, você, nós e outros (guineenses e amigos de África e da Guiné-Bissau), somos todos bem-vindos ao LAMPARAM para dele nos servirmos e, desta forma, realizarmos livre e civilizadamente a propulsão do nosso "ethós", individual ou colectivamente, independentemente das diferenças de opinião ou de pontos de vista, conquanto possamos afugentar a intolerância e forjarmos, pela via do diálogo e da confrontação de ideais, a tão almejada quanto necessária união na diversidade.

Seja qual for o plano em que formos interpelados para apreciar a desunião que nos é peculiar, somos forçados a concluir energicamente pela afirmativa - o nosso dever e a nossa determinação incondicionável em alguma coisa fazer em prol da guineidade e da coesão social na Guiné-Bissau.

Julho 2005



Publicado por LeopoldoAmado em 12:11 PM | Comentar (0)

Portugal falha na Guiné-Bissau



por Éluís miguel viana

muito provável que o regresso de Nino Vieira à Presidência da Guiné-Bissau signifique uma melhoria da situação económica do país e da sua estabilidade interna. Nino Vieira é um ladrão e um assassino, mas sabe mandar e atrair negócios. Colocará naquele desgraçado país um mínimo de ordem, normalizará as Forças Armadas (talvez à custa de mortes e de tortura, como no passado) e, mal se instale, começará a receber empresários no seu palácio em Bissau.

A Guiné não irá piorar, portanto (era, aliás, impossível). Isso não obsta, todavia, a que a eleição de Nino Vieira seja uma tragédia para o seu país e um lamentável fracasso para a diplomacia portuguesa. Nino representa duas décadas de governação incompetente e corrupta com ele o país baixou em todos os índices de desenvolvimento humano. O problema é que, após a deposição de Nino Vieira em 1999 e do seu exílio em Portugal, em Vila Nova de Gaia, a situação guineense degradou-se tanto, sofreu tanto com os golpes de loucura de Kumba Ialá, que o povo olhou agora para ele como a possibilidade de regresso a um passado idealizado e deturpado pela distância.

Não lastimar decisões populares é uma regra de democratas. Mas que dizer do Governo português, que escolhe um candidato que dá um módico de garantias de democracia e desenvolvimento, Malam Bacai Sanhá, a quem depois não apoia com o mínimo de competência? Não lhe arranjou financiadores (Nino conseguiu muito mais dinheiro que ele em Portugal através de Valentim Loureiro, Manuel Macedo e outros), não trabalhou politicamente apoios internacionais, deixou que o Presidente Wade do Senegal promovesse o apoio de Kumba Ialá a Nino Vieira.

Freitas do Amaral e João Gomes Cravinho, secretário de Estado da Cooperação, são responsáveis pelo maior flop diplomático português na política lusófona. O facto de o PS estar dividido (José Lamego apoiou Nino Vieira, Mário Soares apoiou Francisco Fadul) ajuda a compreender o desastre, mas não o desculpa.

José Sócrates, primeiro-ministro de um País da União Europeia e membro da NATO, está agora sem qualquer influência naquele pobre país da CPLP. Porventura pior está sem planos. Uma tristeza.

In "Diário de Notícias", 31.07.2005



Publicado por LeopoldoAmado em 12:00 PM | Comentar (0)

“BOM MINDJORIA, KABI!”


Nino V.jpg

Nota do Editor: Ignoramos quem seja o autor deste texto. Foi-me gentilmente reenviado pela minha sempre amiga, Nanda Barros. Como quer que seja, achei-o de feliz partilha, não só pelo sentido de equilíbrio e coerência que deixa transparecer, mas sobretudo pelo realismo que nele é patente. Apesar de ser anónimo (o que é pena), com a devida vénia o publicamos, na justa medida em que, na nossa modesta opinião, é uma análise que, à propósito da recente eleição de Nino Vieira ao cargo de Presidente da República,
procurou, tanto quanto possível, situar-se além e aquém de querelas, às vezes estéreis, e dos lugares comuns, para nos propor várias pistas alternativas para situar o assunto, ao mesmo tempo que também nos propõe uma sensata postura pedagógica para o futuro.

Leopoldo Amado


“BOM MINDJORIA, KABI!”

Um título muito conhecido, que pertenceu a uma música que fez bastante sucesso na Guiné, na altura em que as nossas preferências políticas recaíam sobre um líder, hoje indesejado por uma parte considerável da população guineense, feita por um ilustre músico guineense que, por ironia do destino, esteve nestas eleições do lado do seu adversário. A música relatava todos os nossos sentimentos e aspirações em relação a um líder político que ascendeu ao poder através de um golpe de estado, legitimado por quase todos os guineenses, e demonstrava o quanto éramos cúmplices dos seus actos, aos quais aplaudíamos em todas as circunstâncias, sem pensar duas vezes.

Criou-se, assim, mitos à volta da sua pessoa e aos poucos ele tornou-se numa personalidade distante, quase inatingível, e temível. Fez-se na altura um casamento entre o Povo e o seu Líder, Kabi Nanfantchamna, para o qual vieram convidados de continentes distantes, alguns nunca vistos e outros antigos inquilinos das nossas praças.

O Comércio Livre trouxe outros tantos casamenteiros, que se foram estabelecendo aos poucos nas nossas tabancas, regozijando-se com o lucro que tiravam das suas djilandadis, ao mesmo tempo que muitos dos nossos camaradas de luta fugiam delas.

Esse casamento durou até a nossa integridade física começar a sentir-se ameaçada e, nesse momento, demos conta que afinal Cuntum ki stá-nu bá na rostu, nó cuda bá i Bandé.
O processo de divórcio foi bastante litigioso a ponto de obrigar uns a pegarem nas suas bagagens e a percorrerem quilómetros de estradas esburacadas e de terra batida sobre os pés calejados, enquanto outros faziam abanar os seus “fundinhos, lopés, carambubas e saias bidjugus” com o único propósito de desaparecerem da cena.

Aquele Líder que, a bem pouco tempo, correspondia às nossas a spirações para o futuro, a nossa salvação das garras do “cabo-verdianismo”, tornou-se “derepentemente” (como dizia o outro) no Nhú Mangaflanu. Mas uma coisa é certa: fomos nós que fizemos, ou ajudamos a fazer, o Kabi Nanfantchamna, o 007 da Guiné, tal como é conhecido mundialmente, o mesmo que voltou agora a despertar os sonhos de uma franja considerável do eleitorado guineense.

O Governo actual, que apoiou o candidato Sanhá, não foi derrotado pelo Kabi, mas sim pelo povo. Ao contrário deste, que só teve à sua disposição apenas algumas poucas semanas de campanha, o Governo teve cerca de dois anos para convencer o povo a acreditar nos seus líderes, mas não soube aproveitar essa oportunidade.

Kabi, apesar de ter perdido muito do seu prestígio, ainda conseguiu atrair a cobiça de mais de metade do eleitorado guineense, quando o governo tinha tudo nas suas mãos, até a própria organização das eleições.

Por sinal foram os próprios guineenses que votaram nele, não só aqueles que não entendem o significado do voto, mas também muitos que sabiam o que estavam a fazer. A vitória dele é uma vitória do passado sobre o presente e, sobretudo, um triunfo do P.A.I.G.C., uma vez que tanto ele como o seu adversário da 2ª volta das eleições são filiados nesse partido.

De nada adianta chamá-lo nomes feios, porque ele, a partir de agora e para todos os efeitos, é um presidente eleito democraticamente, mesmo que tenha sido à moda guineense. Pelo menos desta vez ele não usou armas mortíferas para convencer o povo a dar-lhe créditos, mas apenas os meios de que dispunha e que também estavam ao alcance dos seus adversários.

Porém, vamos ter que rezar para que não se repitam os momentos infelizes do passado, que marcaram a sua governação e que trouxeram consequências desagradáveis para o povo guineense, como todos nós sabemos. Estaremos atentos aos seus actos e à movimentação dos que o rodeiam e teremos que reavaliar também a nossa postura perante os nossos políticos. Vamos continuar a ser críticos e interventivos, não só durante as campanhas eleitorais, mas também enquanto durar a sua governação e a dos outros líderes que se seguirem, sempre que se verifiquem situações que o justifiquem, porque já se provou que as campanhas eleitorais não chegam para tudo.

Se me perguntarem se é possível reciclar o Kabi, eu diria que sim, a não ser que se ache que ele não é um ser humano, tão fraco como outros tantos que Deus criou. Perdoá-lo também pode significar perdoarmos a nós mesmos, porque fomos cúmplices dos seus actos no passado. Quem sabe ele tenha um outro lado bom que todos nós desconhecemos? Se já perdoamos os que nos traficaram, humilharam e torturaram durante séculos a fios, seria demais dar uma oportunidade a um guineense para se poder redimir dos seus pecados?

Ele fará o que fez no passado só se nós permitirmos, por isso a sua governação também dependerá de nós. Será uma oportunidade para provar ao eleitorado guineense a sua competência, ou incompetência, conforme o caso. Ele sabe, com certeza e mais de que ninguém, que esta é a sua última oportunidade e não há de querer desperdiçá-la, a não ser que queira voltar a sofrer as consequências que sofreu com o levantamento militar de 1998.

Temos que respeitar a escolha de uma parte considerável da população guineense, que votou nele, e saber conviver com os que têm uma visão da realidade diferente da nossa, não vamos nós, outra vez, termos que abanar os nossos “fundinhos, lopés, carambubas e saias” bidjugus à procura de destinos incertos.

Aos que ainda se sentem inconformados, diria:
Issabary, Alah i garandi!




Publicado por LeopoldoAmado em 11:46 AM | Comentar (0)

agosto 09, 2005


Acontecimento(s) na Sanzala...


MeuCoracao.jpg

Bolama, antiga capital da Guiné em tempos idos e placa giratória da economia colonial no ciclo de escravos e depois no da mancarra, prostrou-se para Baifás, uma vez mais, como o epicentro incólume das suas deambulações: ali despertou para à vida, no bairro da Sanzala, isto é, uma encruzilhada de “caminhos de cabra ”, entrecortados por poilões seculares que separavam os diferentes destinos que levavam e traziam pessoas dos subúrbios para o centro da cidade e vice-versa.

Sanzala era ainda um bairro em que se perscrutava a permanente vozearia monocórdica de gente humilde que, com desdém, ia e vinha em ritmo compassado, anunciando, por entre gestos e palavras imperceptíveis – pelo menos para Baifás –, cara de pouco amigo, em virtude dos negócios com os colonos comerciantes nunca corresponderem às expectativas que requeriam sacrifícios de toda uma campanha agrícola. Nesses semblantes carregados, escarrapachavam-se um misto de dor e de impotência, aliás, razões que impeliram Baifás a encetar, pela primeira vez, uma tentativa, por sinal vã, de procurar compreender o jugo da vida e da "coitadessa", sintomaticamente, a marca indelével que caracterizava, de maneira geral, os sanzalenses...

Por demais, o bairro era pobre e as casas caquécticas, porquanto, eram de construção precária, ou seja, sem água corrente, sem electricidade, albergando mais de três ou quatro famílias que habitavam os demais compartimentos geminados do mesmo casebre – “entra bú sai” – , como ironicamente se diz na Guiné-Bissau. De pés nus e ventres convexos, que se projectavam muito para além do nível do nariz, as crianças de Sanzala usavam calções com rombos concêntricos, disformes, o que lhes acentuava ainda mais o prognatismo dos ventres subnutridos, fazendo sobressair nelas as costelas ressequidas por dias e dias de apenas "um tiro".

Apesar de tudo, Sanzala ofereceu ao Baifás aquilo que, no mundo inteiro, semelhantes bairros, à mingua, ocasionam à milhões de crianças: a convivência recíproca de neófitos que, desavindos familiarmente e desenquadrados socialmente, se entregavam à uma ingenuidade lúdica e a uma solidariedade à toda prova, a qual, por fidelidade tradicional, amiudadas vezes, resistem à erosão dos tempos. Na época das chuvas, as árvores de frutos dos quintais enlameados eram tomadas de assalto pelas crianças que, em catadupa, arremessavam pedras para às mangueiras, às arvores de fruta-pão e de manpataz, apresentando-se esse exercício não somente como complemento do débil regime alimentar, mas também como forma de libertação de energia e aferição da pontaria.

Por alturas do lusco-fusco, enquanto os adultos se abeiravam de um poste de iluminação pública onde, sob a baça e difusa luz jogavam, ora damas ora cartas, as crianças improvisavam buracos por entre as fissuras das diferentes habitações onde jogavam berlindes até à exaustão. A casa do pai de Baifás, à semelhança da maioria daquela época, possuía uma varanda extensa e alta, a qual, era preciso subir a partir de uns cinco ou seis degraus de duas escadas construídas em cada extremidade. Volta e meia, absortos em jogos de berlindes, quando o pomo da discórdia se resumia em saber se “estremecer” é ou não “dar” ou se se tinha ou não "rebilas" –, as crianças –, acompanhando toda esta algazarra à argúcia de que se munia na interpretação das elásticas regras do jogo –, caiam aparatosamente, inadvertidamente ou por empurrão, a partir do metro e meio de altura das varandas, ocasionando o subsequente apuramento de responsabilidades e a zombaria se lhe seguia um ambiente que invariavelmente os levava à vias de facto ou à autênticas batalhas campais.

Não raras vezes, as tricas infantis acabavam por envolver famílias inteiras que se insultavam mutuamente, aproveitando normalmente a oportunidade para se sublimarem da omnipotente e omnipresente "coitadessa" e se ressarcirem, pelo menos psicologicamente, das expectativas frustradas em negócios mal sucedidos e, assim, em jeito de desforra, "contarem crioulo" à uns e outros, pondo os segredos e os podres à descoberto através de largos gestos, os quais, invariavelmente, acompanhava o violento bater de palmas e os gritos guturais que, à larga distância, alertavam qualquer surdo-mudo para a deflagração de mais uma zaragata de tabanca, para a qual, aliás, todos acorriam, como se de mais um acontecimento se tratasse. E era.

Leopoldo Amado



Publicado por LeopoldoAmado em 04:38 AM | Comentar (0)

Kwame Nkrumah (1909-1972) le père du panafricanisme


Nkrumah 11.jpg
Monumento erigido em homenagem a Kwame Nkrumah

Kwame Nkrumah est né le 21 Septembre 1909 à Nkroful dans le sud-ouest de ce qui s’appelait alors la Côte d’Or ou Gold Coast, une colonie britannique. Fils unique, son nom « Kwame » vient du fait qu’il est né un samedi.

Nkrumah 1.jpg
Kwame Nkrumah em 1929

Comme étudiant, Nkrumah a été séduit par la vision du Dr Kwagyir Aggrey, diplômé aux Etats-Unis, qui était convaincu que le salut des noirs, comme aux USA, pouvait venir de leur auto-amélioration par une meilleure éducation.

Nkrumah a commencé sa carrière comme enseignant dans une école religieuse, avant de devenir rapidement principal. Il a tenté de créer un environnement de haut niveau pour ses élèves, en créant des clubs littéraires, des sociétés académiques, ou en invitant des personnalités à venir discuter avec les élèves.

Pendant ce temps, la grogne contre la puissance coloniale britannique, menée par J. B. Danquah et les planteurs de cacao montait, dans un pays qui commençait à rêver d’indépendance.

Convaincu d’être appelé à jouer un rôle historique dans l’indépendance de son pays, Nkrumah estimait que son éducation n’était pas encore au niveau qui devait être celui d’un futur leader, et a pris la décision de continuer ses études aux Etats-Unis.

Les études américaines

Nkrumah 2.jpg
Kwame Nkrumah estudante nos Estados Unidos

Nkrumah arrive aux Etats-Unis en 1935, bien décidé à compléter son bagage académique.
Son arrivée là-bas est un choc lié à l’extrême pauvreté qui le caractérisera. Il lui arrivera de dormir dans les rues, et pour financer ses études, il sera contraint d’accepter des petits boulots bien éloignés de ses capacités : vendeur de poisson, ouvrier agricole, ou encore employé d’usine.

Il a pu développer ses talents d’orateur, qui s’avéreront très utiles par la suite, en participant à des meetings religieux. Nkrumah a également étendu son répertoire politique en assistant à des meetings politiques socialistes et communistes.

Son séjour aux Etats-Unis lui a permis d’étudier en détail la politique américaine, son histoire et toutes ses subtilités, et de voir dans quelle mesure le Ghana, voire l’Afrique entière pourraient en bénéficier.

C’est naturellement à cette occasion qu’il a pris conscience de la force que l’unité d’un état a conférée aux Etats-Unis, et a commencé à rêver de la puissance qu’un tel schéma produirait en Afrique.

Nkrumah a fait ses débuts d’auteur aux Etats-Unis, publiant en 1943 Education and Nationalism in Africa, puis Towards colonial freedom une vive dénonciation de la colonisation, dépeinte comme un moyen de priver les indigènes du droit que Dieu leur avait offert de connaître la prospérité.

Il quitte les Etats-Unis en 1945 solidement diplômé. Bachelor of Science degrees en Economie et Sociologie, Bachelor of Theology degree et Master of Philosophy degree. Il avait également quasiment terminé son doctorat en philosophie.

Sa prochaine destination : l’Angleterre, le pays qui maintenait la Gold Coast sous sa domination.

L’Angleterre

Nkrumah 3.jpg
Kwame Nkrumah`(à esquerda) em Londres

Kwame Nkrumah arrive à Londres en 1945, et établit très rapidement des contacts avec la diaspora de son pays présente à Londres.

Il devient rapidement membre d’un groupe se réunissant tous les Jeudi et Samedi après-midi chez le Dr Hastings Kamuzu Banda. Ce groupe était composé d’éminents politiciens, dont une grande partie joua par la suite un grand rôle en apportant l’indépendance à leur pays : Kenneth Kaunda (Zambie), Jomo Kenyatta (Kénya), Joshua Nkomo (Zimbabwé), Julius Nyerere (Tanzanie), Kojo Botsio, Harry Nkumbula (Zambie), et bien d’autres.

Nkrumah continue son apprentissage politique en suivant des cours de politique et de socialisme à la London School of Economics and Political Science.

Sa plus importante activité fut de participer au West African Secretariat, et il devint très rapidement un des hommes-clé du Mouvement Pan Africain, et fut en particulier le Secrétaire-Général du 5è Congrés pan-africain qui se tint à Manchester en 1945.

Pendant la préparation de ce congrès, il rencontra le socialiste Indien George Padmore, et une grande amitié personnelle, ainsi qu’une connivence idéologique naîtra entre les deux hommes. Ils ont rédigé ensemble la déclaration de clôture du Congrès qui demandait, de façon très vigoureuse, une libération de l’Afrique pour une auto-administration.
Leur collaboration a continué bien après ce congrès, ils ont ensemble inondé Londres et tous les centres de décision anglais de moult pamphlets et protestations, tant et si bien que le nom « Nkrumah » devint rapidement synonyme de la lutte pour l’indépendance de la Gold Coast.

Nkrumah 4.jpg
Kwame Nkrumah

Le 14 Novembre 1947, Kwame Nkrumah met un terme à son séjour anglais, et prend le bateau pour retourner dans son pays, fermement décidé à mettre un terme à la domination anglaise.

Le retour au pays, la lutte continue

Nkrumah 5.jpg
Kwame Nkrumah após ter sido libertado da prisão em 1951

Après 12 ans d’absence, Kwame Nkrumah retrouve son pays le 10 Décembre 1947. Il retrouve un pays encore sous forte domination britannique, mais un pays résistant de plus en plus à la puissance coloniale.

Une forte répression était en cours, les britanniques voulant tuer dans l’œuf toute velléité d’indépendance : les grèves furent interdites, certains responsables politiques furent exhilés de force, et les responsables britanniques suspectés de sympathie avec les indépendantistes perdirent leur poste.

Nkrumah devint rapidement le Secrétaire Général du principal parti United Gold Coast Convention (UGCC) dirigé par J.B. Danquah, et commencera rapidement un tour du pays qui lui permettra de révéler ses talents d’orateur, et de montrer sa puissante rhétorique, tout en lui permettant de prendre le pouls du pays, et de sentir que ce dernier commence à rêver de plus en plus d’indépendance et d’auto-détermination.

Il met sur pied une campagne pacifiste, destinée à mettre en difficultés l’administration britannique. Au programme, boycott des produits européens, grèves de plus en plus fréquentes, ralentissement de l’économie.

Le 28 Février 1948

Le 28 Février 1948 marquera un tournant de l’histoire d’un pays où rien ne sera plus comme avant.

D’anciens militaires manifestaient pacifiquement, et surtout sans leurs armes, quand l’armée anglaise ouvrit le feu. 63 d’entre eux furent tués ou gravement blessés. 5 jours d’émeutes conduisirent l’administration britannique à décréter l’état d’urgence et à emprisonner tout l’état-major de l’UGCC, dont Kwame Nkrumah.

Le calme ne revint pas totalement, et sous la pression, l’Angleterre dut mettre sur pied un plan qui devait ultimement conduire le pays à l’indépendance.

Dans le même temps, selon certaines sources, convaincu que l’UGCC ne comprenait pas totalement sa vision, Nkrumah démissionna de ce parti pour fonder le CPP ou Convention Peoples Party. D’après d’autres sources, il en fut exclu pour avoir mené une campagne de désobéissance civile.

Quand des municipales furent organisées en 1950, bien qu’emprisonné cette année là, Nkrumah connut un grand succès puisque son parti gagna avec 22.780 voix sur 23.122 votants.

Libéré en 1951, Nkrumah continua la lutte pour l’indépendance, et progressivement l’Angleterre lâcha prise. Le 05 Mars 1952, Kwame Nkrumah est nommé Premier Ministre.
Le 18 Novembre 1956 une date est trouvée pour l’indépendance, et celle-ci sera le 06 Mars 1957.

L’indépendance

Nkrumah 6.jpg
Nkrumah de veste tradicional a 6 de Março de 1957, dia da independência do Gana

Après plusieurs années de lutte, Kwame Nkrumah peut savourer son triomphe, ce 06 Mars 1957, c’est devant une foule enthousiaste qu’il déclare l’indépendance de son pays. Le nom du pays sera changé, de Gold Coast il deviendra Ghana, du nom d’un des plus anciens empires ouest-africains.

Nkrumah prononcera un discours qui fera date, et qui montre qu’au moment où son pays accède à l’indépendance, toutes ses pensées vont déjà vers les autres pays africains qui eux n’ont pas encore été libérés car, d’après lui, l’indépendance du Ghana n’a aucun sens, tant que les autres pays n’auront pas été eux aussi libérés du joug colonial.

Nkruma 6.jpg
Nkrumah e o seu Primeiro Governo

Nkwame Nkrumah : "Nous re-dédions maintenant notre action à la lutte pour émanciper les autres pays car l’indépendance du Ghana n’a aucun sens, tant qu’elle n’est pas liée à une libération totale du continent africain".

Nkrumah sera d’ailleurs l’un des pères-fondateurs de L’OUA ou Organisation de l’Unité Africaine, qui voit le jour en 1963. Mais l’aide qu’il propose aux autres pays ne sera pas acceptée, les différents leaders préférant ici et là jouer leur carte personnelle.

L’enthousiasme

Après l’indépendance, Nkrumah met sur pied une politique volontariste et ambitieuse, destinée à permettre au Ghana d’évoluer, et de s’affranchir de ses limitations antérieures. En particulier, il voulait développer l’agriculture afin qu’elle ne dépende plus du seul cacao, ce qui, en cas de chute des prix, aurait mis le pays dans une situation délicate. Il voulait également réduire la dépendance du pays par rapport aux manufacturiers étranger, et sortir le Ghana de son rôle de fournisseur de matières premières.

Tout ceci s’est traduit par la construction de nombreuses routes, d’hôpitaux, d’université, et d’une foule de projets industriels, dont un très ambitieux barrage hydro-électrique sur la Volta.

Nkruma 7.jpg
Nkruma apresenta o seu ambicioso projecto de contrução de uma hidroeléctrica

A l’indépendance, les prix du cacao étaient à de très haut niveau, ce qui a permis à cette politique d’être mise en application, et à Nkrumah d’être un leader respecté et adoré par ses administrés.

Si l’histoire s’était arrêtée là, l’étoile de Nkrumah serait restée très haute dans le firmament des leaders africains…

La chute : économique

Nkrumah 7.jpg
krumah analisa uma planta de cacau

Entre 1960 et 1965, les prix du cacao sur les marchés internationaux ont connu une chute très brutale, entraînant avec eux les réserves ghanéennes puisque, malgré la volonté de Nkrumah, le pays était encore extrêmement dépendant du cacao.

Les prix ont connu une inflation brutale, près de 250% entre 1957 et 1965, dont 66% pour la seule année 1965. La croissance qui a oscillé entre 9 et 12% jusqu’en 1960 a baissé jusqu’à 2-3% en 1965. Pour couronner le tout, le chômage a connu une progression exponentielle. Entre 1960 et 1965, les prix du cacao sur les marchés internationaux ont connu une chute très brutale, entraînant avec eux les réserves ghanéennes puisque, malgré la volonté de Nkrumah, le pays était encore extrêmement dépendant du cacao.
Les prix ont connu une inflation brutale, près de 250% entre 1957 et 1965, dont 66% pour la seule année 1965. La croissance qui a oscillé entre 9 et 12% jusqu’en 1960 a baissé jusqu’à 2-3% en 1965. Pour couronner le tout, le chômage a connu une progression exponentielle.

La chute : politique

Nkrumah 9.jpg

A alegria do anúncio da destituição de Nkrumah

Nkrumah était convaincu de la justesse de sa pensée, et ne voulait souffrir aucun obstacle sur le chemin devant mener le Ghana et l’Afrique en général vers la prospérité. En conséquence, il a violemment écarté tout obstacle, réel ou perçu, vers cette destinée.

Il a commencé par retirer une bonne partie de leurs pouvoirs aux chefs traditionnels qui faisaient autorité depuis plusieurs centaines d’années dans ce pays des Akan.
Il devint rapidement obsédé par sa sécurité, notamment après deux tentatives manquées d’assassinat sur sa personne.

En 1964, il se décréta Président à vie, instaura le mono-partisme et dissout toutes les formations politiques. Il emprisonna un grand nombre d’opposants, dont J.B. Danquah avec qui il avait fait équipe dans l’UGCC.

Pour se justifier : « même un système basé sur une constitution démocratique peut être contraint, dans la période suivant l’indépendance, à des mesures de type totalitaire ».

Coupé du peuple, Nkrumah devint de plus en plus impopulaire au sein de ces masses laborieuses qui l’avaient porté au pouvoir.

Ce qui devait arriver arriva. Le 24 Février 1966, alors que Kwame Nkrumah se trouvait en voyage officiel au Vietnam, à l’invitation d’Ho Chi Min, un coup d’état éclata, mené par le colonel Emmanual Kwasi Kotoka. Le parlement fut dissous, le parti de Nkrumah, le CPP fut interdit, et Nkrumah lui-même fut banni.

Le reste de la vie de Nkrumah fut donc passé en exil, et c’est à Bucarest en Roumanie qu’il mourut, le 27. Son aura fut finalement ternie par les dernières années de son règne, mais pour beaucoup, Kwame Nkrumah restera un visionnaire, l’un des tous premiers à avoir vu la force que pouvait représenter une Afrique unie, qui aurait pu enfin devenir une puissance économique auto-dirigée, et non plus une simple pourvoyeuse de matières premières pour le riche occident.

Pour conclure, ces propos de Nkrumah lui-même en 1961 :

« Divisés nous sommes faibles. Unie, l’Afrique pourrait devenir, et pour de bon, une des plus grandes forces de ce monde. Je suis profondément et sincèrement persuadé qu’avec notre sagesse ancestrale et notre dignité, notre respect inné pour la vie humaine, l’intense humanité qui est notre héritage, la race Africaine, unie sous un gouvernement fédéral, émergera non pas comme un énième bloc prompt à étaler sa richesse et sa force, mais comme une Grande Force dont la Grandeur est indestructible parce qu’elle est bâtie non pas sur la terreur, l’envie et la suspicion, ni gagnée aux dépends des autres, mais basée sur l’espoir, la confiance, l’amitié, et dirigée pour le bien de toute l’Humanité ».

Par Hervé Mbouguen



Publicado por LeopoldoAmado em 02:31 AM | Comentar (0)

agosto 08, 2005


O SELO QUE NÃO COLA


Idi Amin.jpg Idi Amin

Idi Amin, quando ainda era Presidente, exigiu que o Correio de Uganda emitisse um selo que contivesse sua imagem - e que a qualidade estivesse acima de qualquer suspeita. Os selos foram criados, emitidos e vendidos, deixando Idi Amin muito satisfeito. Passados alguns dias começam as reclamações de que o selo não cola - o que o deixou furioso. Idi Amin chama os responsáveis e exige uma investigação completa e imediata. Diversas agências postais visitadas confirmam: o selo não cola! O fabricante do selo é accionado. Alguns dias depois, feita a investigação, vem o relatório: "Nada há nada de errado com o selo em questão. O único problema é que a população insiste em cuspir do outro lado".



Publicado por LeopoldoAmado em 01:19 PM | Comentar (0)

OS AXIOMAS DE ZURIQUE


A expressão "Axiomas de Zurique" foi cunhada num clube de suíços que operavam em mercadorias e acções, e que se estabeleceu em volta de Wall Street depois da Segunda Guerra Mundial. Em seu livro homónimo, Max Gunther expôs tais axiomas. O livro apresenta doze regras utilizadas por um grupo de banqueiros e empresários suíços que resolveu diversificar seus investimentos após a Segunda Guerra Mundial. Como avaliar riscos, ser maleável e obter lucro em curto prazo são alguns dos axiomas estudados. Veja as 12 regras. I - DO RISCO: Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante. 1 - Só aposte o que vale a pena. 2 - Resista à tentação das diversificações. II - DA GANÂNCIA: Realize o lucro sempre cedo demais. 3 - Entre no negócio sabendo quanto quer ganhar; quando chegar lá caia fora. III - DA ESPERANÇA: Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o. 4 - Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como factos da vida. Conte incorrer em vários, enquanto espera um grande ganho. IV - DAS PREVISÕES: O comportamento do ser humano não é previsível. Desconfio de quem afirmar que conhece uma nesga do que seja do futuro. V - DOS PADRÕES: Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso. 5 - Cuidado com a Armadilha dos Advogados. 6 - Cuidado com a Ilusão do Grafista. 7 - Cuidado com a Ilusão de Correlação e a Ilusão de Causalidade 8 - Cuidado com a Falácia do Jogador. VI - DA MOBILIDADE: Evite lançar raízes. Tolhem seus movimentos. 9 - Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade. 10 - Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente. VII - DA INTUIÇÃO: Só se pode confiar num palpite que possa ser explicado. 11 - Jamais confunda palpite com esperança. VIII - DA RELIGIÃO E DO OCULTISMO: É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico. 12 - Se astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos. 13 - Não é necessário exorcizar uma superstição. Podemos curti-la, desde que ela conheça o seu lugar. IX - DO OTIMISMO E DO PESSIMISMO: O optimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidar com o pior. Jamais faça uma jogada por optimismo apenas. X - DO CONSENSO: Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada. 14 - Jamais embarque em especulações da moda. Com frequência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer. XI - DA TEIMOSIA: Se não deu certo da primeira vez, esqueça. 15 - Jamais tente salvar um mau investimento fazendo "preço médio". XII - DO PLANEAMENTO: Planeaneamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja. 16 - Fuja de investimentos a longo prazo.



Publicado por LeopoldoAmado em 01:10 PM | Comentar (0)

agosto 04, 2005


CNE deve confirmar vitória de Nino


vieira.jpg

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deverá confirmar hoje a vitória de João Bernardo Vieira «Nino» na segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-bissau soube o EXPRESSO Africa de fontes oficiosas em Bissau.

A comparação dos relatórios das assembleias de voto na posse da CNE e das candidaturas de Nino Vieira e Malam Bacai Sanha revelou uma discrepância de apenas dois votos não contabilizados.

Dado que a diferença entre o vencedor provisório e o segundo candidato foi superior a 19 000 votos, a CNE deverá estimar desnecessária a recontagem manual dos boletins exigida pelo candidato oficial do PAIGC.

Ao candidato do PAIGC, Malam Bacai Sanha, que alegou existirem «irregularidades» e «fraude» resta a possibilidade de apresentar uma queixa formal ao Supremo Tribunal de Justiça.

A candidatura de Malam Bacai Sanha tinha apresentado segunda-feira ao Parlamento um pedido de destituição de Malam Mané, Presidente da CNE por «incompetência» e a instauração de um processo disciplinar contra ele.

Aristides Ocante, presidente da Comissão Parlamentar de Prevenção e Gestão de Conflitos, afirmou num comunicado divulgado ontem que não compete a Assembleia Nacional «dirimir um contencioso eleitoral», facto que, considera, em última instância, cabe unicamente ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Fonte: Expresso África (http://africa.expresso.clix.pt/guinebissau/default.asp), 4.8.2005






Publicado por LeopoldoAmado em 03:22 PM | Comentar (0)

agosto 03, 2005


Morte de John Garang ofusca a almejada paz no Sudão


Garang.jpg

La disparition du chef sudiste soudanais John Garang menace de miner le fragile accord de paix qui en janvier dernier avait mis un terme au Soudan à la plus longue guerre civile d'Afrique, selon les observateurs.

Sa mort dans un accident d'hélicoptère intervient quelque 200 jours seulement après la réconciliation historique scellée entre le gouvernement central et les rebelles du sud du plus grand pays d'Afrique et du monde arabe.

Si cette guerre de 22 ans ayant fait 1,5 million de morts entre le nord, arabo-musulman, et le sud, chrétien et animiste, semblait s'achever, le Soudan est toujours en proie au sanglant conflit du Darfour, dans l'ouest du pays.

Figure charismatique des rebelles sudistes, le "colonel" Garang, un chrétien "laïc", venait d'être adoubé vice-président par le président Omar al-Béchir, un général arrivé au pouvoir en 1989 par un coup d'état appuyé par les islamistes.

Le président Bechir a pour sa part affirmé lundi que la mort de John Garang renforçait sa détermination à poursuivre le processus de paix avec les ex-rebelles sudistes.

"Nous affirmons que le processus de paix poursuivra son chemin vers son but", a dit M. Béchir en annonçant à la télévision le décès de son ex-ennemi qu'il avait accueilli le 8 juillet pour sa première visite à Khartoum depuis 22 ans.

Semblable engagement a été immédiatement pris par le Mouvement/Armée de libération du Soudan (SPLM/A), l'armée sudiste fondée par John Garang.

"Nous souhaitons rassurer tout le monde sur le fait que la direction et les cadres de la SPLM/A resteront unis et vont s'efforcer d'appliquer loyalement l'accord de paix", a affirmé l'adjoint de M. Garang, Salva Kiiri depuis Nairobi où le SPLM/A a toujours son siège.

Comme pour démentir ces propos optimistes, des émeutes ont immédiatement éclaté à Juba, la grande ville du sud, ainsi qu'à Khartoum, les partisans de l'ex-chef rebelle ne semblant accepter la thèse de l'accident.

"La mort de M. Garang est un énorme choc suscitant de très grandes inquiétudes. Son décès risque de porter un coup très fort à un accord fragile" a commenté à l'AFP un diplomate européen de haut rang à Kharthoum, où règne selon lui une "très forte tension".

L'accord de janvier prévoit notamment le partage du pouvoir et des richesses, ainsi qu'une période transitoire de six ans au cours de laquelle un statut d'autonomie est accordée au sud du pays.

Le tiers des 30 millions de Soudanais vit dans cette région où sont localisées l'essentiel des ressources pétrolières identifiées (500 millions de barils).

L'accord de paix risque d'être un "échec" si la communauté internationale ne fait pas pression sur le parti au pouvoir, venait de mettre en garde il y a une semaine l'organisation International Crisis Group (ICG).

"Si la communauté internationale ne s'attaque pas aux vrais problèmes de fond, l'accord entier pourrait se déliter avec des conséquences aussi meurtrières que la guerre qui vient juste de se terminer", prédisait dans un rapport un chercheur de ICG, John Prendergast.

Pour un autre analyste de ICG, David Mozersky, "ce n'est pas réaliste de penser que cet accord soit appliqué s'il y a une guerre civile au Darfour et un frémissement de conflit dans l'est du Soudan".

Le Darfour, région de l'ouest du Soudan, est déchiré depuis février 2003 par une guerre civile entre les forces gouvernementales, appuyées par des milices arabes, et des rebelles qui dénoncent la marginalisation de leur région.

Le conflit a fait entre 180.000 et 300.000 morts selon les estimations.

L'accord a été aussi fortement contesté le 1er juillet dernier par l'ancienne émise grise du pouvoir, l'islamiste Hassan al-Tourabi, au premier jour de liberté après un an en résidence surveillée.

AFP



Publicado por LeopoldoAmado em 11:09 AM | Comentar (0)

julho 29, 2005


A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA CONTADA POR MÁRIO SOARES


mario-soares1.jpg
Mário Soares

Ministro dos Negócios Estrangeiros logo após o 25 de Abril de 1974 (I, II e III Governos Provisórios), Mário Soares, em entrevista com Dominique Pouchin, apresenta a sua versão sobre o processo de descolonização. Na medida em que nele foi parte activa, editamos aqui o que faz registar sobre o assunto.

Referência bibliográfica: Mário Soares. Memória viva. Entrevista com Dominique Pouchin. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003 (Biblioteca "Primeiras Pessoas"- vol. I).
A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA


- A REVOLUÇÃO nascera das guerras coloniais, e a primeira das urgências era pôr fim a essas guerras. Nessa altura o senhor começa a negociar com cada um dos movimentos nacionalistas. Começou, de certa forma, pelo mais fácil, pela Guiné, a seguir trabalhou em relação a Moçambique, e finalmente Angola. Como se passaram as coisas com os Guineenses?

É preciso começar por dizer que não existia uma visão política homogénea no seio do governo provisório. Na ausência de coordenação, cada um fazia mais ou menos aquilo que entendia. Quando aceitei a pasta dos Negócios Estrangeiros, tinha uma ideia para levar a bom termo a descolonização. Pretendia fazer assinar rapidamente um cessar-fogo nos territórios em guerra, para acabar com ela localmente. Mas tinha de respeitar o presidente Spínola, o qual possuía os seus próprios pontos de vista nessa matéria. Ele desejava a constituição de um processo sob controlo armado, para chegar a uma espécie de "Commonwealth portuguesa". Numa altura em que a opinião pública apelava à manifestação nas ruas a favor das independências, da fraternidade e da paz, isso era claramente impossível. A população reclamava o regresso dos seus soldados ao País. As tropas portuguesas estacionadas no Ultramar começavam, também elas, a confraternizar com os nacionalistas. A política de Spínola era, por conseguinte, irrealista. Do lado oposto, havia a visão do Partido Comunista. Convém lembrar que, naquela época, nos aproximávamos do período da máxima expansão da União Soviética no Mundo. Os comunistas portugueses desejavam fazer entrar as antigas colónias portuguesas na esfera de influência soviética, uma vez que elas albergavam no seu seio movimentos de tendência comunista. Estávamos então em 1974. Finalmente, uma terceira tendência era a que preconizava Melo Antunes, um tenente-coronel do Exército português e ao mesmo tempo um intelectual, que me sucedeu no ministério dos Negócios Estrangeiros. A sua ideia de descolonização negociada estava mais próxima da minha, sem ser exactamente a mesma. Ele era muito "terceiro-mundista". Então cada um começou a trabalhar para seu lado.

Encontrei-me com Agostinho Neto, dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola, no dia 2 de Maio de 1974, em Bruxelas, mas dois dias mais tarde, Spínola enviava um embaixador (...), para se encontrar com ele na Suiça. Quanto aos comunistas, esses avançavam com os seus negócios através de Moscovo. Os dirigentes africanos compreenderam então que cada um de nós conduzia uma política própria, o que lhes abria possibilidades de negociação. Naquela altura, enquanto ministro, estabeleci os primeiros contactos com Aristides Pereira, o dirigente guineense que encontrara em Dakar, no Senegal, com quem consegui negociar um cessar-fogo. No próprio dia do cessar-fogo a guerra estava terminada na Guiné, sem nada acordar em troca. Isso para nós foi um importante sucesso. Relativamente à minha proposta, a seguir encontrámo-nos em Londres, para pôr a funcionar as modalidades da transição do poder, porque naquela altura ainda não se falava de independência. Mas, no momento em que chegámos a Londres, fomos informados das ordens estritas de Spínola, que não queria conceder a autodeterminação. Ora ao proibir ao PAIGC que se exprimisse, não era possível manter o cessar-fogo. O ministro dos Territórios das antigas colónias, o meu amigo António de Almeida Santos, e eu estávamos francamente embaraçados, pois não dispúnhamos das menores condições para uma verdadeira negociação. A seguir, estabeleci contactos com os Angolanos, eles próprios divididos em três movimentos nacionalistas diferentes. Precisávamos de negociar com os três, o MPLA pró-soviético, a UNITA de Jonas Savimbi, que naquela época estava muito próxima dos Chineses e a FNLA, o movimento de Holden Roberto, próximo do Congo e dos Americanos.

O xadrez tornou-se ainda mais complexo, quando foi igualmente necessário levar em conta Moçambique. Encontrei-me então com Samora Machel, presidente da FRELIMO, o movimento da independência, o qual veio a ser Presidente do seu país em 1975. Isso aconteceu na Zâmbia. (...). Encetámos então as negociações. Mas estas vieram a verificar-se mais difíceis, porque Chissano, o número dois de Samora, e actual Presidente, avisara-nos que o cessar-fogo só seria respeitado uma vez obtidas as garantias solenes da nossa parte quanto ao reconhecimento da FRELIMO como representante legítimo do povo Moçambicano. Houve um acordo verbal, abraços e novos aplausos, mas quando nos sentámos à mesa das negociações, eles recusaram-se a assinar. E os Guineenses regressaram com a mesma disposição.

- PORTANTO, a FRELIMO por um lado, o PAIGC por outro, tal como Angola, exigiam que Portugal os reconhecesse como representantes dos seus povos antes de qualquer cessar-fogo.

E isso, no preciso momento em que o cessar-fogo entrava espontaneamente em aplicação no terreno. (...)

- O CASO mais difícil continua a ser, mesmo assim, o de Angola.

Angola foi sem dúvida o caso mais complexo, em virtude da realidade dos movimentos pró-independentistas. As outras colónias ainda não pensavam na descolonização. Nem Cabo Verde, nem São Tomé, nem Timor estavam em guerra, e os Indonésios, naquela altura, não queriam ouvir falar de descolonização. (...)

- O SENHOR assinou os acordos de descolonização em Alvor, no Algarve, em Janeiro de 1975?

Nessa altura, Spínola já estava afastado do poder. O Presidente da República era o general Costa Gomes, e eu ainda era ministro dos Negócios Estrangeiros. Os acordos de Alvor, com os três movimentos angolanos, que estabeleciam a independência de Angola, foram assinados em Janeiro de 1975, por Almeida Santos, Melo Antunes e por mim. E, pela parte de Angola, por Jonas Savimbi, Agostinho Neto e Holden Roberto, os líderes dos três partidos nacionalistas: UNITA, MPLA, FNLA. Esses acordos de Alvor fixaram as modalidades de independência. O último soldado português deveria abandonar o território angolano antes de 11 de Novembro de 1975. Em contrapartida, não assinei os acordos com Moçambique, mas apenas assisti, após os acordos, ao acto de independência de Moçambique, no Maputo, assim como também não negociei, uma vez que já não era ministro dos Negócios Estrangeiros, a independência de Cabo Verde e São Tomé. Em Março de 1975, tive de abandonar a minha pasta. Após o 11 de Março de 1975- data do golpe militar atribuído ao general Spínola, que teve de fugir para o estrangeiro- tornei-me ministro sem pasta... e sem poder. (...)

- QUE BALANÇO faz dessa descolonização portuguesa, que representa o último império ocidental?

Com o distanciamento e a perspectiva histórica que hoje possuo, julgo que não havia outro caminho senão conceder a independência às colónias, o que fizemos num tempo recorde. Fomos forçados a isso pela pressão internacional e pelas condições internas portuguesas. Disse-se, posteriormente, que a descolonização tinha representado um trauma para aqueles que viviam nas colónias. Não nego que alguns dos que acreditaram poder lá ficar tivessem depois tido de fugir e regressar a Portugal, sem trabalho, sem dinheiro, sem casa. Isso é efectivamente traumatizante, mas todos os processos de descolonização passam por aí. Penso que, apesar de tudo, temos a nosso favor a rapidez com que concluímos o processo, e a generosidade que nos guiou nessa obra de descolonização. Foi isso que nos abriu o caminho do futuro!

(...)



Publicado por LeopoldoAmado em 03:40 PM | Comentar (0)

julho 28, 2005


NINO VIEIRA GANHA ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS


Nino V.jpg

A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau proclamou Nino Vieira vencedor das eleições presidenciais, de acordo com resultados provisórios. Mas Malam Bacai Sanhá, o candidato do PAIGC, no governo, tinha dito esta madrugada que não aceitaria tais resultados. A situação em Bissau é de expectativa, no temor de actos de violência que manchem esta última fase da normalização política, esperada pela comunidade internacional para estabelecer com a GB um programa de salvação nacional. (Ler actualização às 11h50).

Segundo os cálculos dos jornalistas, 412.926 eleitores, dum total de 538.471, votaram expressamente nos dois candidatos que disputaram a segunda volta das presidenciais - Malam Bacai Sanhá e Nino Vieira. Malam Mané, que não referiu o número de votos brancos e nulos, adiantou que a taxa de participação foi de 78,55%, menos quase dez pontos percentuais do que na primeira volta (87,63%).

Segundo os dados, provisórios, Nino Vieira obteve 216.167 votos, o que corresponde a 52,35%, enquanto Malam Bacai Sanhá, apoiado pelo PAIGC, no poder, recolheu 196.759 votos, equivalentes a 47,65%.

Segundo dados da CNE, Nino Vieira obteve mais 19.408 votos do que Bacai Sanhá, vencendo em quatro das nove regiões em que se divide administrativamente a Guiné-Bissau: Tombali (Sul), Biombo (Centro Litoral), Gabu (Leste) e em Bolama/Bijagós (arquipélago a oeste do país).

Por seu lado, Bacai Sanhá venceu nas restantes cinco regiões: Quínara (Sul), Oio (Interior Norte) Bafatá (Leste), Cacheu (Litoral Norte) e no Sector Autónomo de Bissau.

Na conferência de imprensa, Malam Mané informou que deu entrada na quarta-feira na Comissão Nacional de Eleições um pedido da candidatura de Bacai Sanhá para a recontagem dos votos nas regiões de Biombo e Bissau, solicitação que vai agora ser analisada no período de reclamações consagrado na lei.

Às primeiras horas de hoje, Desejado Lima da Costa, porta-voz de Bacai Sanhá, tinha dito que os resultados em posse da CNE não eram correctos, pelo que Malam Mané não os devia divulgar hoje de manhã.

Segundo os dados da CNE, Bacai Sanhá venceu em Bissau, mas obtendo apenas mais 336 votos do que Nino Vieira, quando, na primeira volta, a diferença de votos se situou nos 13.562.

Lusa



Publicado por LeopoldoAmado em 04:27 PM | Comentar (0)

julho 25, 2005


Good-bye Nigéria - “The Giant of Africa”


nigeria_ani.gif

Estive recentemente oito dias em Lagos. Aterrei no Aeroporto “Murtala Muhammed”, um colosso infraestrutural, do mais moderno, construído em forma de polvo, à imagem e semelhança do Aeroporto “Shiphol” de Amsterdão, aliás, cidade que escalei antes de chegar propriamente a antiga capital da Nigéria.

Ao contrário do que supunha, a organização no Aeroporto “Murtala Muhammed” era excelente, tanto mais que em espaço de destaque, foi instalado em pleno aeroporto um serviço de atendimento e reclamações, onde se pode ler, em letras gordas, mais ou menos isto: “Nós os nigerianos, conscientes da nossa capacidade de almejarmos os nossos mais profundos anseios de dignidade e desenvolvimento, fazemos profissão de fé de lutarmos contra a corrupção e trabalharmos com transparência e honestidade para o engrandecimento da Nigéria”.

Como estava a rodear-me de todos os cuidados e mais alguns, dado os exagerados preconceitos que comigo transportava, o gabinete de atendimento e reclamações tranquilizou-me um pouco, tanto mais que o meu voo se tinha atrasado consideravelmente, receando algumas complicações que adviessem da possibilidade de, na saída do aeroporto, não encontrar ninguém para me acolher. Como efectivamente não encontrei ninguém, decidi ir de táxi para o Hotel. Saio do aeroporto e sou de imediato assediado por uma multidão de cambistas e taxistas que, falando todos ao mesmo tempo, à viva força, queriam convencer-me a preferir os seus serviços. Valeu-me a pronta intervenção de um policia que, após os afastar violentamente à cacetada, conduziu-me a um taxista seu conhecido, com quem concertou previamente o preço que eu havia de pagar até ao Hotel Tamarin, em Ikedja, um bairro mais ou menos próximo do aeroporto.

Supunha igualmente que chegaria a Lagos com um calor de rachar e enganei-me, tanto assim que foi justamente a amena temperatura que rondava os vinte e poucos graus que me ajudaram a suportar o caótico transito das horas de ponta de Lagos, algo surrealista que nunca tinha visto antes: milhares e milhares de carros em paciente fila de «pára e arranca», com os condutores em algazarra furiosa uns com os outros e milhares de incansáveis vendedores ambulantes de permeio, a tentarem vender de tudo aos passageiros, correndo alternadamente entre as viaturas, com a maior normalidade. Eu que sempre me escandalizei com a acção desordenada dos «toca-tocas» dos finais de tarde de Bissau, Lagos apresentou-se-me – perdoe-se-me a contradição –, como o melhor exemplo do caos organizado. Aliás, se a gasolina não custasse 50 Nairas na Nigéria (1 dólar igual a 134 Nairas), dificilmente os automobilistas nigerianos suportariam ficar horas a fio nas filas, com os motores a roncarem despreocupadamente entre a barafunda, e a darem também o ar da sua graça.

Dissemos «caos organizado» e a contradição justifica-se, na medida em que é nesse caos, real ou aparente (consoante o ângulo em que analisamos a cidade) que treze milhões de nigerianos se projectam em Lagos para às grandes distâncias que separam os bairros; uns em luxuosos carros, certamente os mais afortunados e a “plebe”, a esmagadora maioria da população, à pé ou em transportes colectivos e ainda de motorizada (que também funciona perigosamente como táxi). Em Lagos, mesmo nos subúrbios, tudo se vende e se compra: desde bonitos carros em segunda mão importados da Europa e da USA até comida local, esta, normalmente de baixo custo e confeccionada, sem exagero, em milhões de cozinhas ladeadas de chapas de zinco (o equivalente dos "máquis" da África francófona), desordenadamente improvisadas em cada virar da esquina, em cada passeio, em cada curva, em cada contracurva, por debaixo das pontes ou mesmo defronte a um qualquer edifício estatal.

A Nigéria, apesar de ser um país de imensos recursos agrícolas, petrolíferos e industriais, impressiona verdadeiramente pelo fosso nele existente entre a opulência dos ricos (cujos sinais exteriores de riqueza são assaz visíveis), contrastando o mesmo com a pobreza extrema em que vegeta a grande maioria da população, aliás, completamente desamparada e projectada para o sector informal da economia, onde a muito custo arranca o mínimo necessário à sobrevivência. Impressionou-me sobremaneira ter visto, no caminho para Vitoria Island, a partir da maior ponte de África, milhares de famílias a viverem em casas lacustres construídas com chapas metálicas e estacas de madeira que as sustêm sobre as águas de um Lago. Pensar-se-ia à partida tratarem-se de comunidades piscatórias, e são-nos de facto, apesar de também aí viverem parte considerável de nigerianos que, por serem pobres e vulneráveis, acabaram por ser o alvo fácil da enorme pressão urbanística, própria de cidades superpovoadas como Lagos, e por conseguinte, “empurrados” para o mar.

Na realidade, Nigéria tem vagabundagem e banditismo em grande escalas, na medida em que convive-se aí com a marginalidade extrema, com o crime organizado e a consequente insegurança generalizada, os quais, de resto, são sintomáticos no facto de os policias munirem-se sempre, não apenas de pistolas e cassetetes, como na genearlidade dos outros países, mas de metralhadoras automáticas em riste, em permanente estado de prontidão. Nesse sentido - apenas e só nesse sentido -, e a avaliar pela quantidade e omnipresença de policias e agentes de segurança privados, fortemente armados, fica-se com a sensação de encontrarmo-nos num país em plena guerra, e certamente não estaremos muito longe da verdade se, nesse sentido, qualificarmos a Nigéria como «um mundo cão», pois é difícil entender como é que as imensas riquezas do país - sobretudo as que advêm da NNPC (Nigerian National Petroleum Corporation) - a petrolífera estatal do país - não estejam devidamente alocadas ao serviço da melhoria das condições de vida da grande maioria da população.

Mas, felizmente, existe igualmente uma outra dimensão da Nigéria, sobretudo àquela que espelha o facto deste grande país africano ser um colosso, não apenas pela grandeza geográfica do seu território (923,768 km2), mais de 250 etnias e línguas diferentes e ainda 36 estados); não somente pela quantidade dos seus habitantes (cerca de 150 milhões de pessoas), mas sobretudo porque é ali notório um desenvolvimento que deriva, em primeiro lugar, do facto de a Nigéria ser um importante mercado. A existência de um moderno parque industrial (do qual sobressai o das farmacêuticas), aliado a industria de extracção do petróleo e as enormes potencialidades agrícolas e haliêuticas, fazem realmente da Nigéria, tal como os próprios orgulhosamente dizem, “The Giant of Africa”. Com um nível médio de preparação intelectual muito acentuado, para não falar da indiscutível qualidade de ensino administrado nas Universidades e outros níveis de ensino, cremos não exagerar se afirmarmos que este país, à par da África do Sul, possui excelentes condições para continuar a pilotar o processo em curso do renascimento africano.

Mas Nigéria, outrossim, é um grande país, potencialmente rico, e onde se verifica a existência de uma cultura que resultou, por um lado, da feliz osmose entre a heterogeneidade étnica que comporta e doutro, da articulação, igualmente feliz, com a cultura de cariz ocidental-europeia, ou se quisermos, universal. Ao contrário do que se possa pensar, Nigéria tem também imensa africanidade e, pelos vistos, sabem acolher os seus visitantes com assinalável dignidade, de resto, algo semelhante as expressões próprias para assinalar a urbanidade da arte de bem receber os hóspedes, tal como “ganalé" dos senegaleses, com o seu Wolof ou a “morabeza” dos caboverdianos, nas diferentes variantes do crioulo das Ilhas. Possui ainda a Nigéria imensa beleza natural, pessoas simpáticas e - porque não di-lo - lindas e belas mulheres, para além, obviamente, de gente honesta, honrada e trabalhadora.

Na Nigéria, no quadro da ADF (African Democracy Forum) de que sou membro do Management Committee, à semelhança do que aconteceu em Durban há um ano, encontrei novamente imensos africanos e africanas (de todos os quadrantes e países) que acreditam piamente e lutam na vertente dos Direitos Humanos e da Democracia por uma África melhor e mais próspera. Para alguém como eu, que antes de conhecer a Nigéria apenas tinha como referências deste país as suas excelentes prestações nos mundiais de futebol; as peripécias do cantor Prince Nico N’ Barga e do seu grupo Rokafil Djazz (que morreu estupidamente num acidente de viação, nessas motos-táxis que abundam como formigas e onde ele se fazia transportar como cliente); a má fama que exageradamente os nigerianos têm no meu país –, apesar disso tudo, como dizia, foi um prazer e um privilégio conhecer um pouco esse promissor país, o que se deveu, e isso agradeço, a amizade das dirigentes da «Baobab Woman Human Rights» (a famosa organização de mulheres que conduziu com êxito a campanha mundial em favor de Safiya Hussaini e Amina Lawal) e que, de resto, também acolheu o Annual Meeting da ADF que ora se realizou. Good-bye Nigéria - “The Giant of Africa”.

Leopoldo Amado
Julho 2005




Publicado por LeopoldoAmado em 01:46 AM | Comentar (0)